terça-feira, 8 de junho de 2010

#Peoplewatch

O sol batalha para se entremear nas nuvens. Os dias tem sido incertos no Rio de Janeiro.

 

Meus dias, no entanto, tem sido de uma certeza inegável. Estou muito perto do trabalho e muito longe da casa da minha mãe. A saudade se inverteu. Se antes eu morria de vontade de ver meu namorado, hoje qualquer tempo que eu possa ver minha família é precioso.

 

Ainda assim, eu tenho muita coisa pra ver.

 

Sempre fui acostumada a morar em casa em vez de apartamento. Conviver com inúmeras janelinhas nunca foi minha realidade e isso tem sido muito divertido pra mim.

 

#Peoplewatch: É a arte de observar pessoas e colocar a imaginação pra trabalhar.

 

Quem gosta de peoplewatch, acaba imaginando a história daquelas pessoas com base no que ela está carregando, no seu semblante, se ouve música, se fala sozinha, se vem com alguém, pra onde vai e de onde vem.

 

Janelas não dão muito material, mas tudo o que vejo me intriga.

 

Meu namorado fica me imitando enquanto olho pelas janelas. Ele finge uma conversa entre nós e de repente para, perplexo com alguma coisa.

 

Eu morro de rir, porque eu nem percebo o quanto essas janelas chamam a minha atenção.

 

Devo parecer uma velha fofoqueira, mas me debruço na minha janela e observo tudo.

 

Vejo onde moram pessoas jovens e velhas, as empregadas limpando, as cores das paredes.

 

Em um apartamento azul mora um casal recém-chegado que deve ter uma história muito parecida com a nossa.

 

No apartamento com móveis antigos, mora uma senhorinha que parece fumar na janela com a mesma culpa que eu faço a mesma coisa. Com ela, mora uma moça bonita que gosta de falar ao telefone na janela.

 

Na janela em frente, tem uma estante de livros que é nosso xodó. Ficamos imaginando o dia em que teremos tantos livros em nossa parede. O senhor que mora ali vem e vai, sempre portando livros nas mãos. Deve ler o dia todo, pesquisar e quem sabe, trabalhe em casa. Ou quem sabe seja um senhorzinho aposentado que já sem esposa ou solteirão, decidiu passar os dias curtindo o prazer de uma boa leitura. E aí eu não consigo escapar de um sentimento de inveja....droga.

 

Cortinas que esvoaçam, brancas e voláteis, flores nos parapeitos, trabalhadores nos telhados, decorações iluminadas, os bem-te-vis que se aninham de manhã nas palmeiras e trinam no chegar da meia-noite.

 

Eu não tenho TV nem internet. Mas eu tenho uma janela, olhos, ouvidos e uma pele que se arrepia com a chegada do vento de chuva quase toda noite.

 

E por enquanto, isso me basta.

 

Um comentário:

Guilherme Sakuma disse...

Gostei de ler isso; me foi bastante agradável.

Postagens populares